Delirar a Anatomia é uma colecção de estudos febris dedicados a uma parte corpo, é um modo de operação. Um trabalho que se baseia no estudo da anatomia – sua história, perspectiva da medicina chinesa, fisiologia e paleontologia — em cruzamentos iconográficos ou literários assim como na experiência empírica, que levam por meio à escrita de partituras e à composição coreográfica. O delírio acontece na fricção de factos e ficções, acontece no ataque aos órgãos e às suas funções destinadas. A ambição é a de provocar crises e revoluções que possam permitir mais liberdade na criação do corpo e assim, redesenhar suas formas, gestos e funções, e assim alargar o seu modo de ser e de existir. Os estudos são focados no orifício. O orifício enquanto lugar de passagem, porque o trânsito entre o dentro e do fora proporciona o delírio.
Delirar é passar-se.
Faz parte da colecção Delirar a Anatomia as peças Orifice Paradis, Sonho D’Intestino, Palco, Pavilhão e Eló.
Eló
“Delirar a Anatomia” é uma coleção de pequenas peças — homenagens a diferentes partes do corpo. Eló é o órgão da empatia.
Tronco e membros separados da cabeça — guardiã dos cinco sentidos. Uma larga gola é o espaço onde se reforça a separação, presente em muitos imaginários do corpo, no que parece ser um quase sempre.
Em Eló, é o gesto pelo gesto anulando as funções destinadas ou desdobrando-as em poesia — companhia das horas raras que se soltam do relógio e que levantam os olhos de um qualquer ponto fixo.