Tocando o estranho interior

Encontros de estudo e partilha de práticas, imaginado por Amador Alina Folini e Ana Rita Teodoro

IlustraçãoLivroDA Tocando o estranho interior

Tocando o estranho interior é um projeto de investigação artística sobre tecnologias tácteis e imaginação, na dança contemporânea.

Em muitas práticas e peças de dança, o toque é simultaneamente ferramenta técnica, meio de aprendizagem, discurso poético e forma de relação. No entanto, raramente se dedica atenção a explorar as formas nas quais o tocar e suas tecnologias, poderiam ser tanto uma linguagem de criação artística e uma prática relacional como um contexto para aprofundar sobre aquilo que “nos toca” e, desenvolver um processo especulativo com visões sensíveis, percepções e materialidades. Compreender o contacto como toque, intensifica a perceção dos efeitos co-transformadores das ligações entre seres, na sua condição encarnada e corpórea.

Conscientes que habitamos um mundo em crise que precisa de cuidado, iniciamos esta investigação com a premissa de que as ferramentas corporais, relacionais, somáticas e sensoriais que o campo da dança desenvolve, existem  caminhos possíveis para re-imaginar o envolvimento do(s) corpo(s) no mundo. Desenvolvendo exercícios que articulam escuta corporal, autonomia, fabulação, cuidado e responsabilidade coletiva. Ou seja, acreditando que a atenção dada ao tocar, ao ser tocado e aos seus sentidos, pode ampliar a consciência da natureza incorporada da percepção, da afetividade e do pensamento.

Escutando as tensões entre o concreto e o especulativo, Ana Rita Teodoro e Amador Alina Folini partem de experiências desenvolvidas em processos de criação artística. A partir dessas pesquisas, propõem um espaço de experimentação pedagógica onde o toque é entendido como linguagem: tanto literal como fabulado, uma forma de comunicação que antecede, acompanha ou excede as palavras e participa ativamente na construção das relações entre corpos.

A investigação organiza-se em torno de algumas questões:

– Que sentidos são sugeridos quando se invoca o toque?
– Como percebemos e comunicamos limites através do toque?
– Como se negociam proximidade, distância e consentimento em práticas de dança?
– Que histórias sociais, culturais e de género habitam os nossos gestos de contacto?
– De que forma o embodiment (incorporação), a relacionalidade e o envolvimento (questões que têm marcado as práticas transfeministas) podem ser formas de conhecimento situado?
– Será que o conhecimento e o afeto concebido como toque é menos propenso a ocultar-se atrás de um “lugar nenhum”? Podemos ver sem ser vistos, mas será possível tocar sem ser tocados?
– Que tipo de toque produzimos quando ignoramos as necessidades e os desejos daquilo ou de quem tentamos tocar?
– Que formas de escuta e fabulação podem emergir através da pele, do peso, da pressão, do volume e da presença?
– Que outros corpos existem no nosso corpo humano e como podemos aceder a eles mediante o toque?

Através de práticas somáticas, exercícios de contacto, observação e reflexão coletiva, pretendemos desenvolver ferramentas que ampliem a consciência táctil e permitam compreender o toque como um campo de conhecimento, imaginação e transformação.

Mais do que transmitir técnicas específicas, este projeto propõe criar um espaço de pesquisa compartilhada onde abrir os conhecimentos que foram desenvolvidos com a investigação e experimentar diferentes modos de estar consigo e com os outros, aprofundando a atenção às relações que se estabelecem através dos corpos.

⌂ FICHA TÉCNICA

Criação: Amador Alina Folini e Ana Rita Teodoro