Aaah

A cada nascimento
Vem ao mundo algo novo
Anuncia esperança
De ser distinto entre iguais

1 ou 2
3 ou 4
7 ou 8
10 ou menos
Imorrível

Cabeça Tronco e membros
É coisa pouco importante
Um não nasce para morrer
Mas para sempre nascer

aaah poderá ser um último suspiro sonoro ou o princípio de um grito de coragem.
aaah poderá ser a expressão de um corte, ou de um qualquer outro gesto que uma vez executado deixa marcas tão evidentes que uma coisa passa a ser, obrigatoriamente, outra coisa.

aaah poderá ser uma celebração performativa e poética das coisas que findam, apelando à lucidez e sentido de humor face aos fins.

aaah poderá ser também uma homenagem às artistas velhas. Àquelas que apesar da idade física nunca encontraram impedimento para continuar a expressar-se: a Louise Bourgeois de 94 anos, a Kazuo Ohno de 85 ou, ainda, a Anna Halprin de 83.
aaah longa vida aos bailarinos velhos” é o que eu digo, esperando eu também no futuro ser uma velha que dança.

Não, afinal não é uma homenagem às artistas velhas.

aaah também é sobre inícios.

aaah pensa em fins e começos, como cortes na existência de uma pessoa.

aaah usa o recorte e o detalhe para compor divagações entre nascimentos e mortes.

Ana Rita Teodoro

© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte
© José Carlos Duarte

⌂ FICHA TÉCNICA

Conceção e interpretação: Ana Rita Teodoro
Contribuição dramatúrgica: João dos Santos Martins
Luz: Mariana Figueroa
Figurino: Marisa Escaleira, Nuno Nogueira, Salomé Areias e Ana Sargento
Produção e circulação: Associação Parasita / Sofia Lopes e Lysandra Domingues
Apoio: Fundação Serralves, República Portuguesa – Cultura/Direção-Geral das Artes, Teatro do Bairro Alto, Casa da Dança, Forum Dança, OPART | Estúdios Victor Córdon, Teatro da Voz e Companhia Olga Roriz
Canções de Ana Rita Teodoro: “Lúcidos Finais” inspirada no Canto “Nossa Senhora da Azenha” das Adufeiras de Monsanto; “Peito Gaiola” inspirada no Canto “A Confissão da virgem” de Deolinda Branco Pereira
Texto Adaptado:  por Ana Rita Teodoro, a partir de excertos da carta aberta/reclamação de Laura Ramos. Carta integral e Petição Pública.
Agradecimentos: André Teodósio, Rita Natálio