A cada nascimento
Vem ao mundo algo novo
Anuncia esperança
De ser distinto entre iguais
1 ou 2
3 ou 4
7 ou 8
10 ou menos
Imorrível
Cabeça Tronco e membros
É coisa pouco importante
Um não nasce para morrer
Mas para sempre nascer
aaah poderá ser um último suspiro sonoro ou o princípio de um grito de coragem.
aaah poderá ser a expressão de um corte, ou de um qualquer outro gesto que uma vez executado deixa marcas tão evidentes que uma coisa passa a ser, obrigatoriamente, outra coisa.
aaah poderá ser uma celebração performativa e poética das coisas que findam, apelando à lucidez e sentido de humor face aos fins.
aaah poderá ser também uma homenagem às artistas velhas. Àquelas que apesar da idade física nunca encontraram impedimento para continuar a expressar-se: a Louise Bourgeois de 94 anos, a Kazuo Ohno de 85 ou, ainda, a Anna Halprin de 83.
“aaah longa vida aos bailarinos velhos” é o que eu digo, esperando eu também no futuro ser uma velha que dança.
Não, afinal não é uma homenagem às artistas velhas.
aaah também é sobre inícios.
aaah pensa em fins e começos, como cortes na existência de uma pessoa.
aaah usa o recorte e o detalhe para compor divagações entre nascimentos e mortes.
Ana Rita Teodoro