Ana Rita Teodoro é uma artista interdisciplinar que trabalha com dança. O seu trabalho coreográfico repousa na ideia de uma “anatomia delirante”, que procura extrapolar funções do corpo humano convencionado. Estudou a dança butô, no seu contexto e prática. Coleciona canções tradicionais portuguesas cantadas no feminino, das quais faz uso nos seus projectos artísticos.

Mestra em “Dança, Criação e Performance” pelo CNDC de Angers e a Universidade Paris 8 (2011/2013), desenvolveu como pesquisa a criação de uma “Anatomia Delirante”. Da qual resultou a Coleção Delirar a Anatomia, pequenas peças de dança dedicadas a uma parte do corpo: Orifice Paradis (2012), Sonho d’Intestino (2013), Palco e Pavilhão (2017). As partituras foram editadas pela ed._____ uma parceria do Teatro Praga e da Sistema Solar, sobre o título Delirar a Anatomia de Ana Rita Teodoro + (des)léxico para A.A. de Joana Levi (2022).

O Butoh tem sido uma das suas áreas de maior investimento artístico. Desde 2007 participa em diferentes workshops liderados por artistas e pesquisadores em Portugal, Alemanha e Japão, como: Tadashi Endo, Sankai Juko, Torifune, Akira Kasai, Min Tanaka, Yoshito Ohno, Patrick De Vos e Christine Greiner. Em 2015, recebe a Bolsa de Aperfeiçoamento Artístico da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar com Yoshito Ohno no Japão e em 2016, desenvolve uma pesquisa em torno da prática do Butoh com o apoio Aide à la recherche et au patrimoine en danse do Centre National de la Danse, CND (Pantin). Esta pesquisa culmina na performance-conferência intitulada Your Teacher, please (2018).

Ana Rita Teodoro criou as seguintes coreografias a solo e em grupo – MelTe (2009), Curva (2010), Assombro (2015), FoFo (2019, com o apoio New Settings da Fundação Hermes), aaah (2022), Sonhos Comuns (2025). No contexto do serviço pedagógico do CND, Ana Rita concebeu duas conferências-espetáculo para o público infanto-juvenil: Conferência 1 – O Corpo (2019) e Conferência 2 – Pequena História do imaginário corporal (2020). Ambas as conferências foram editadas em filme que é difundido nos contextos pedagógicos do CND.

Trabalhou em diversos projetos pontuais com artistas como Nadia Lauro (Garden of Time, Festival de la cité, Lausanne 2020) e a artista visual Adelaïde Feriot (Palais de Tokyo, Paris 2019). Foi igualmente intérprete do músico Julien Desprez em Coco (2019), João dos Santos Martins em Projecto Continuado (2015), em Companhia (2018), em Vida e Obra (2024) e em Antropocenas (2017) do mesmo coreógrafo e da Ritó Natálio. Fez duas co-criações com João dos Santos Martins (Trolaró – 2020; Troca o Passo – 2024); Oráculo Vegetal com Amador Alina Folini (2020); ÃO com João Neves e André Teodósio (2023) e, actualmente, co-cria Cabaret Primeira Vez com Connor Scott.

Foi artista associada do Centre National de la Danse, CND (Pantin) entre 2017 e 2019 e é artista da Associação Parasita desde a sua data de criação em 2015. Em 2022 e 2024 Ana Rita T organizou uma série de conferências e formação/pesquisas dedicadas a pensar a audiodescrição de dança.