Next Step é uma iniciativa de intercâmbio lançada pelo T Theater, em Macau, em colaboração e parceria com a Parasita. Dedica-se a incentivar e apoiar práticas performativas experimentais de artistas residentes na China, através de uma plataforma para a partilha e a investigação.
Residência de Intercâmbio NEXT STEP 2026 LISBOA
Após a primeira edição em 2025, que envolveu uma residência em Lisboa e outra em Cantão e Macau, o NEXT STEP está de regresso. Durante duas semanas, entre 11 e 25 de outubro, os artistas macaenses Pui Lon e Kane Lao estarão em residência no Espaço Parasita, aprofundando a sua pesquisa através da partilha do estúdio com convidados. Neste período, cada um oferecerá um workshop e abrirá o seu trabalho à comunidade.
ARTISTAS RESIDENTES
Kane Lao
Kane Lao (Lao Ka-hin) é um bailarino e investigador residente em Macau, que colabora ativamente com os coletivos artísticos locais Four Dimensional Spatial e T Theatre. A sua prática percorre um amplo espectro de formas de dança: iniciou-se em estilos de danças urbanas — popping, locking e hip hop — antes de se aproximar também à dança contemporânea. Ao longo dos anos, tem trabalhado com coreógrafos e artistas de diferentes áreas disciplinares, expandindo continuamente o seu vocabulário físico.
Movimento como Libertação Incorporada: Da Imitação ao Auto-Conhecimento
Para Kane, o estudo do movimento é mais que um exercício técnico, é uma prática de emancipação do corpo. Ele aborda o estudo de movimento como um processo com duas fases: primeiro, aprender com os outros – observar, absorver e incorporar formas externas; segundo, voltar essa linguagem adquirida para dentro, a fim de articular a identidade e a expressão pessoais. Este processo reflete uma questão existencial mais ampla: os seres humanos reconhecem-se através do reflexo dos outros. Na dança, tal como na vida, aprender o movimento de outra pessoa é ao mesmo tempo um processo de autodescoberta. Kane encara esta dialética como o centro da sua investigação artística.
Pui Lon
Membro dos coletivos Four Dimension Spatial e Max Dance Hall, Lao desenvolve o seu trabalho partindo do corpo enquanto meio de expressão. Colabora ativamente com artistas de diferentes áreas disciplinares, como criador, intérprete e dramaturgo de dança. Nos últimos anos, o trabalho de Lon tem-se centrado no corpo queer, no olhar e na performatividade, e na forma como o corpo é moldado pelos contextos culturais.
Corpo Queer, Olhar, Performatividade e Corpo em Contexto Cultural
Pui Lon desenvolve uma prática ancorada na sua identidade e no meio em que vive, organizada em torno de três eixos: o corpo queer, o olhar e a performatividade, e o corpo nos seus contextos culturais. Através da desconstrução e reconstrução de significados, investiga o corpo como instrumento de expressão, transformação e arquivo. O corpo queer permite-lhe questionar e desestabilizar fronteiras de género, identidade e espaço. Interessa-lhe também a relação entre quem performa e quem observa, entendendo o olhar como um espaço de negociação e resposta mútua. Por fim, explora como a dança revela marcas culturais, sociais e ambientais inscritas em cada corpo.
PROGRAMA PÚBLICO
11 de outubro, domingo, 18h, 60 min.
Body In Form
Chan U Hong/PP, Kane Lao e Pui Lon Lao
Espaço Parasita, Av. Infante Dom Henrique 334, Lisboa
Entrada livre mediante inscrição aqui
Body In Form é um projeto de investigação coreográfica do macaense Chan U Hong, desenvolvido em conjunto com Kane Lao e Pui Lon Lao, que explora o património técnico das danças de rua em relação com a dança contemporânea. Através da categorização, desconstrução e reconstrução de vocabulários de movimento, o projeto desenvolve novos enquadramentos de intercâmbio entre estas práticas distintas, mas em diálogo.
Partindo do ritmo, do peso, do gesto e da presença, Body In Form considera o movimento simultaneamente como técnica e expressão cultural. Investiga de que forma a dança transporta significado e emoção através de diferentes contextos, apoiando os/as bailarinos/as na construção de estilos pessoais e de novas possibilidades estéticas.
Partilha de materiais de pesquisa
De Chan U Hong/PP com alunos de dança de Macau (a anunciar)
20’’
Five Six Seven Eight / Cinco Seis Sete Oito
De e com Kane Lao
20’’
Grandpa’s Love Song on the Radio / A Canção de Amor do Avô na Rádio
de Pui Lon com Bboy de Macau (a anunciar)
20’’
Chan U Hong (PP) é membro da Associação de Bailarinos da China, diretor da Federação Cultural de Macau, vice-presidente da Associação de Dança de Macau e diretor do T Theatre, em Macau. Dedicado ao ensino e à investigação em dança há 20 anos, estudou coreografia na Academia de Dança de Pequim (2000—05) e fez um mestrado em Dança na Case Western Reserve University (2007-09).
Organização: The Dancer Studio Macao
Apoio: Fundo de Desenvolvimento da Cultura de Macau
13 de outubro, terça, 10h30-12h00
Workshop com Kane Lao
Movimento como libertação incorporada: Articulação, constrangimento e geração de movimento
Espaço Parasita, Av. Infante Dom Henrique 334, Lisboa
Participação gratuita mediante inscrição aqui
Partindo da sua prática interdisciplinar, que cruza as danças urbanas — popping, locking e hip-hop — com a dança contemporânea, Kane Lao propõe uma metodologia centrada na articulação a partir de constrangimentos.
Desenvolvido para ultrapassar fórmulas condicionadas pelos géneros de dança, este workshop convida os participantes a pensar o corpo como um microssistema de pontos de movimento. Através da aplicação sistemática de constrangimentos — temporais, espaciais e anatómicos —, a sessão orienta os bailarinos na exploração de diferentes texturas e lógicas de movimento. Para além da exploração técnica, o workshop aborda o conceito de “movimento como arquivo incorporado”, incentivando os participantes a traduzir os seus contextos culturais e as suas histórias corporais em expressões concretas de movimento.
21 de outubro, quarta, 10h30-12h00
Workshop com Pui Lon
Corpo Queer, Olhar e Performatividade em Contexto Cultural
Espaço Parasita, Av. Infante Dom Henrique 334, Lisboa
Participação gratuita mediante inscrição aqui
Partindo do contexto e das dinâmicas de cruising da cultura dos clubes noturnos, este workshop explora o olhar enquanto forma de negociar a relação entre sujeito e objeto. A tensão gerada pelo movimento recíproco dos olhares entre corpos torna-se um ponto de entrada num estado performativo, desencadeando um processo interior–exterior–interior que estimula impulsos e, simultaneamente, cria ligações com os outros presentes no espaço. Neste contexto, o tremor torna-se o principal modo de interação. O corpo do performer funciona como um instrumento de ativação do espaço e torna-se um meio de ligação entre pessoa, comunidade e o espaço envolvente.
23 de outubro, sexta, 19h, 45 min.
Partilha pública da residência com Pui Lon, conversa e convívio
Corpo Queer, Olhar e Performatividade em Contexto Cultural
Espaço Parasita, Av. Infante Dom Henrique 334, Lisboa
Entrada livre mediante inscrição aqui
Esta apresentação será desenvolvida em torno de três conceitos centrais na prática de Lon: o corpo queer, olhar e performatividade e corpo em contexto cultural. Partindo de Snakes, Queer, Myth and Avatars ou do trabalho em processo Massagem–Mensagem (título provisório), Lon irá partir das suas observações, encontros e descobertas durante a residência em Lisboa para desenvolver uma performance.
Residência de Intercâmbio NEXT STEP 2026 SHENZHEN
I. Sobre o Next Step
Next Step é uma plataforma internacional em desenvolvimento dedicada ao intercâmbio de práticas de dança, ecossistemas artísticos e percepções entre Portugal, China e Macau. Procuramos enquadrar a dança como uma prática de produção de conhecimento, recorrendo a residências internacionais para responder à pluralidade e complexidade da sociedade contemporânea. A ideia central do Next Step é criar um espaço de troca entre artistas e públicos de diferentes contextos geográficos e culturais, proporcionando simultaneamente um ambiente fértil para o desenvolvimento das suas práticas.
Após a primeira residência em 2025 em Cantão e Macau, a residência 2026 acontece em dezembro na cidade de Shenzhen. Quatro artistas residentes em Portugal juntar-se-ão a quatro artistas na China, acolhidos pelo Shenzhen Fringe Art Center como parte integrante da “100+ Asia Art Season”. (http://www.100plusart.com)
II. Detalhes da residência
Datas: 30 de novembro – 20 de dezembro de 2026 (21 dias + dias de viagem)
Local: Shenzhen, China (Shenzhen Fringe Art Center)
Shenzhen Fringe Art Center
Participantes: 8 artistas (4 residentes na China, 4 residentes em Portugal)
Estrutura: 2 semanas de investigação + 1 semana de apresentações
III. Formatos de atividades
Afastando-se da lógica de ensaios à “porta fechada”, o Next Step convida os artistas a partilhar os seus processos através de diferentes formatos de partilha:
Apresentação da prática pessoal: Durante a primeira semana, os artistas partilham a sua prática artística através de falas, conferências-performances ou apresentações.
Estúdio aberto: Pelo menos uma sessão em que o espaço de trabalho é aberto ao público.
Mesa-redonda: Um espaço de “fazer através da fala” — diálogo informal e reflexão.
Workshop público: Cada artista irá orientar pelo menos um workshop dirigido à comunidade local.
Apresentação orientada pelo processo: A residência termina com uma apresentação pública dos resultados da investigação e intercâmbio.
Notas:
Cada artista contribuirá para pelo menos uma actividade pública;
O apoio técnico será disponibilizado de acordo com as condições concretas do espaço.
IV. Posicionamento linguístico: a tradução como modo de troca
Embora o inglês funcione como ferramenta prática de comunicação intercultural, reconhecemos que a sua predominância pode diminuir as lógicas próprias de diferentes sistemas linguísticos. Assim, o Next Step está enraizado em práticas de tradução, bem como nas lacunas, mal-entendidos e complexidades da linguagem. São bem-vindos todos os níveis de inglês, e toda a predisposição colectiva para tradução em todos os momentos da residência.
IV. Requisitos & Elegibilidade
– Artistas que utilizem o corpo como principal meio de trabalho (incluindo, mas não limitado a, dança contemporânea, performance ou investigação interdisciplinar).
– Interesse no intercâmbio com outros artistas e prontidão para participar em práticas coletivas.
– Disponibilidade para a totalidade do programa.
– Residência em Portugal.
V. Logística assegurada pelo Next Step
– Estúdio para trabalho em colectivo
– Viagem de ida e volta (Portugal-Shenzhen)
– Alojamento
– Per diems/refeições
– Bolsa: 12.000 MOP (aprox. 1.200 €)
Nota: O projeto é financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Cultural de Macau, pelo que os pagamentos são efetuados em Patacas de Macau (MOP). O pagamento será de acordo com a taxa de câmbio em vigor no momento da transferência.
VI. Candidatura
Preencher o formulário de candidatura e incluir:
– Fotografia
– CV (1 página), em inglês
– Breve texto de motivação que contextualize a pesquisa a desenvolver (pode ser uma nova pesquisa, ou uma pesquisa em curso, 1500 caracteres em inglês)
– Vídeo de apresentação, incluíndo o seu percurso e a investigação que pretende desenvolver durante a residência, em inglês (máx. 3 min)
– Excertos de trabalhos anteriores (máx. 5 min)
VII. Critérios de Seleção
A equipa curatorial avaliará as candidaturas com base nos seguintes critérios:
Urgência e especificidade da prática e investigação: De que forma a investigação proposta dialoga com o mundo contemporâneo?
Abertura ao processo: Como se relaciona x artista com a “vulnerabilidade” do inacabado? Qual a vontade de diálogo com o público e com os restantes participantes?
Produção de conhecimento: Que perspetivas, ferramentas ou metodologias a prática oferece para a partilha coletiva?
VIII. Datas Importantes
– Prazo de candidatura: 15 de junho de 2026
– Entrevistas: 20–23 de junho de 2026
– Anúncio dos resultados: 29 de junho de 2026
IX. Ficha técnica
Iniciado e produzido por: T Theater (Macau)
Co-organizado por: Parasita (Lisboa)
Curadoria: Guo Rui & João dos Santos Martins
Direcção de produção: Popeye Hong
Produção: Ningdan Zhu, Ku Man Ian (T Theater), Maria Monteiro (Parasita)
Co-produção: Shenzhen Fringe Art Center
Financiamento: Fundo de Desenvolvimento Cultural de Macau
A Parasita é apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Desporto e Juventude e pela DGARTES – Direção-Geral das Artes.
X. Sobre os parceiros
O T Theater é um espaço independente de artes performativas em Macau, fundado em 2016, dedicado à promoção de abordagens diversas à coreografia, explorando uma ampla variedade de práticas centradas no corpo em diferentes contextos e incentivando artistas locais e regionais a dialogar com artistas internacionais.
A PARASITA é uma associação sem fins lucrativos fundada em 2014 e sediada em Lisboa. Funcionando como uma cooperativa de artistas, apoia a dança e práticas artísticas expandidas através da partilha de recursos, investigação e experimentação colectiva. O seu trabalho explora as intersecções entre criação, teoria e prática curatorial, reflectindo também sobre as responsabilidades sociais e culturais dos artistas e agentes culturais.
Shenzhen Fringe Art Center (FAC) é uma organização cultural em Shenzhen que liga a Greater Bay Area a redes culturais internacionais. Guiada pela visão “Art for Everyone, Stage Everywhere”, a FAC acredita no papel da arte como força impulsionadora do desenvolvimento social. Através de práticas diversas nas áreas das artes performativas e visuais, promove activamente o intercâmbio internacional, a inovação cultural e o envolvimento do público. A FAC gere também o espaço multidisciplinar ALOT Creation Factory, explorando novas relações entre arte, cidade e comunidade.
XI. Participantes de Residências Anteriores
Residência Lisboa 2025: Wu Hui, Lin Yixing.
Residência Guangzhou/Macau 2025: Bibi Dória, Inês Zinho Pinheiro, Luísa Saraiva, Romain Teule, Kai Xu, Project O (Ziyang Ye & Jiaqi Xie), Qingyu Liu, Xueying Peng.
Mais informações sobre as edições passadas: Next Step — Parasita
Para questões sobre a candidatura, contactar Maria Monteiro através do endereço maria@parasita.eu
Residência em Cantão e Macau, Junho de 2025
Next Step é uma iniciativa de intercâmbio lançada pelo T Theater, em Macau, em colaboração e parceria com a Associação Parasita, em Lisboa. Após a vinda de artistas da China ao estúdio da Parasita, foram selecionades, por convocatória, quatro artistas residentes em Portugal para um intercâmbio em Cantão e Macau: Bibi Dória, Inês Zinho Pinheiro, Luísa Saraiva e Romain Teule. O programa juntará ainda um grupo de artistas sediados na China para explorar a polissemia através de práticas incorporadas. Ao longo da residência, uma série de eventos públicos — incluindo partilhas de investigação/prática, workshops, investigações site-specific e apresentações finais — oferecerá plataformas de troca e aprendizagem coletivas.
Para o co-curador Guo Rui, esta edição de Next Step centra-se na ideia de polissemia — a coexistência de múltiplos significados. Inspirando-se na visão do historiador de arte James Cahill, que defendia que a arte vital resiste a interpretações fixas, a residência convida es artistas a ativar novas funções nos seus meios de expressão, a partir de saberes corporais e culturais. A dança torna-se um espaço de relação com o som, as artes visuais, o teatro, a tradução e o cinema — não por sobreposição de camadas, mas através da interação dinâmica entre formas.
A polissemia também molda e nutre o modo e a forma das relações interculturais. Acolhe a diferença, o equívoco e o mal-entendido como espaços de descoberta — algo crucial num panorama global onde a dança tende, por vezes, à homogeneização. Ao questionar que linguagem fala cada corpo e que contributos culturais carrega, esta residência procura dar espaço a vozes emergentes na China e em Portugal para responderem às mudanças sociais, questionarem e reinventarem a sua identidade. As suas práticas — enraizadas nas em cânticos rurais, no teatro ou no cinema — desafiam narrativas dominantes, propondo expressões corporizadas para repensar a forma, o significado e a relação.
Bibi Dória
Artista interdisciplinar, licenciada em Dança pela UNICAMP (BR) e associada da edição inaugural da Rose Choreographic School – Sadler’s Wells (UK) 2024-26. Trabalha na interseção entre dança, performance e cinema. Residente em Lisboa (PT) desde 2018, desenvolve os seus próprios projetos e colabora como intérprete, assistente e dramaturga com vários artistas.
Trabalhando na intersecção entre o cinema experimental, a performance e a dança, durante a residência, a sua investigação irá explorar fundamentalmente a relação entre imagem e imaginação. Traz consigo uma pergunta orientadora: Quais são as possíveis estratégias do corpo na transmissão de uma sequência de imagens? Como podem ser memorizadas? Ou, até, como podem ser esquecidas?
Inês Zinho Pinheiro
Bailarina, investigadora e professora, tecendo ligações entre estas práticas. Inês estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional (Lisboa). Dançou na companhia júnior (Suíça). Licenciada em Ballet e Dança Contemporânea (Rambert School). Mestrado em História e Filosofia da Dança (Roehampton University). Colabora com a música/compositora Lilja Ásmundsdóttir. Desenvolve o projeto Sonic Voyaging e leciona na Escola Superior de Dança. Doutoranda em Artes Performativas e Imagem em Movimento.
Como podemos produzir dança para além da replicação de movimento? Esta foi a pergunta que levou Inês a desenvolver ‘propostas sonoras’ que encapsulam conceitos relacionados com o movimento. Agora, propõe uma nova prática — “formas de smemoring” –, investigando o movimento em relação com o cheiro e a experiência de recordar algo tão intangível e difícil de exprimir verbalmente como a memória olfativa.
Luísa Saraiva
Coreógrafa e intérprete, natural do Porto, Portugal. Estudou Psicologia na Universidade do Porto e Dança na Folkwang Arts University, em Essen. A sua prática artística explora a linguagem do corpo e da voz, situando-se na interseção entre movimento e composição musical. Na temporada de 2019/2020, foi uma das coreógrafas em residência no K3 | Tanzplan Hamburg. O seu trabalho foi apresentado em Portugal, Alemanha, França, Espanha, Suíça e Bélgica.
A investigação de Luísa Saraiva centra-se em canções de trabalho folclóricas sem palavras, explorando as suas qualidades rítmicas e emocionais. Inspira-se na tradição das liturgias solares, assim como na história da música noise. O projeto reflecte sobre a relação entre os corpos e o trabalho, particularmente num contexto de progressiva desincorporação vocal e de pressão crescente sobre o trabalho manual devido às alterações ambientais.
Romain Beltrão Teule
Franco-brasileire. Vive e trabalha em Lisboa. Licenciade em Design, com um mestrado em Artes Visuais, concluiu o programa PEPCC do Forum Dança. Trabalha com tradução, interpretação, semiótica e tem um interesse particular pelos “espaços intermédios”. Criou os solos Elisabeth (2014), Légende (2017), Dobra (2021) e OFF (2025), apresentados em Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Bélgica. Légende recebeu o prémio do júri para Melhor Espetáculo no FITT Noves Dramaturgies, em Tarragona.
A sua investigação coreográfica centra-se na espectralidade e hauntology, explorando a tradução como gesto de transposição entre corpos, línguas e tempos. Usando a voz para convocar a presença e nomear para criar vibração, investiga o invisível, os duplos e o fantasmático.
PARTILHAS PÚBLICAS
19 de junho, 19h—20h30, The Retrieved Museum
Workshop com Inês Zinho Pinheiro
Este workshop explora as interações entre trabalho pedagógico e artístico, fazendo transbordar métodos aplicados em ambos os contextos. Vamos explorar memórias pessoais através do movimento, em ligação com experiências olfativas, por meio de práticas coletivas. A sessão culminará com os participantes a desenvolverem as suas próprias “formas de rememoração”, como ferramenta para estabelecer ligações entre experiências pessoais e práticas.
20 de junho, 19h—20h30,Watermelon Theatre
Workshop com Bibi Dória
The Editing Island procura explorar ideias em torno de conceitos cinematográficos e transportá-los para o campo das artes ao vivo, do movimento e da performance. Trata-se de um espaço de experimentação coletiva com práticas de cinema expandido, coreografia, memória e imaginação.
21 de junho, 14h—16h, Watermelon Theatre
Workshop com Luísa Saraiva
Neste workshop, exploramos o corpo como instrumento de som e ressonância. Partindo da voz iremos abordar diferentes formas de produzir som e de escutar. Através de práticas somáticas e de movimento, exploramos o potencial dos processos físicos envolvidos na criação e sustentação do som. Trabalharemos em exercícios orientados para a composição de som e movimento em tempo real.
21 de junho, 19h—21h, Watermelon Theatre
Workshop com Romain Teule
Este workshop explora a voz como fantasma, a escuta como movimento e a tradução como aparição. Através de partituras performativas, navegamos por presenças assombradas e pelas fronteiras instáveis entre dizer, fazer e desaparecer.
22 de junho, 15—18h, Watermelon Theatre
Partilha pública da residência
26 de junho, 19h30—21h30, T Theatre
Apresentação final da residência
Artistas em residência Bibi Dória, Inês Zinho Pinheiro, Luísa Saraiva, Romain Teule
Artistas convidados Kai Xu, Project O (Ziyang Ye & Jiaqi Xie), Puilon Lao, Qingyu Liu, Xueying Peng
Apoio IPOR – Instituto Português do Oriente
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Residência em Lisboa, Janeiro-Fevereiro de 2025
Durante uma semana de residência no Espaço Parasita, em Lisboa, três artistas de Macau, Cantão e Pequim — Wu Hui, Hio Mei, Lin Yixing — partilham o estúdio com outros artistas convidados, oferecem um workshop e uma partilha pública da sua pesquisa e processo à comunidade.
ARTISTAS EM RESIDÊNCIA
Wu Hui
Bailarina e coreógrafa independente, residente em Cantão. O seu trabalho parte de uma perspetiva feminina, utilizando diferentes métodos para evocar a imaginação e a emoção. Tem-se interessado por corpos ecológicos como forma de entender, imitar e responder ao mundo.
Hio Mei
Artista independente, coreógrafa e bailarina natural de Macau. As suas criações exploram a relação entre culturas contemporâneas e tradicionais, combinando imagens, vídeo e o estudo do corpo na dança.
Lin Yixing
Vive em Pequim e dedica-se à exploração e prática da escrita, da performance e do misticismo. O seu trabalho tem-se focado em examinar o corpo feminino dentro da cadeia de produção moderna, explorando os rituais recorrentes, as figuras marginalizadas na mitologia e as ligações entre a história das bruxas e a história da colonização das plantas.
PARTILHAS PÚBLICAS
1 de fevereiro (sábado), 19h, Espaço Parasita
Nascer-se | To Be Born
Wu Hui
Num mundo que prioriza incessantemente o conceito de “eu”, a individualidade torna-se muitas vezes sufocante. Contrariamente, na natureza, o crescimento é descentralizado, diverso e dinâmico. Representa um processo contínuo de evolução, um desejo de resultados que permanecem em constante desenvolvimento — um continuum de chegadas e chegadas ainda por vir. Esta pesquisa procura repensar os limites da individualidade, do crescimento e da interligação, propondo uma lente ecológica para examinar a interação fluida e dinâmica da existência.
Mais uma vez | One More Time
Hio Mei
“Mais uma vez” é uma expressão muito utilizada em ensaios de dança para treino ou criação, que expressa uma ideia de repetição, repetindo o que foi feito no passado para tentar analisar se é apropriado, para ajudar a encontrar o material ou a expressão certa. Por detrás desta repetição, há uma espécie de proteção do presente, um sorvedouro de criatividade. Como podemos dar mais possibilidades e imaginação às dança que acontecem repetidamente no teatro? “Mais uma vez” tenta pensar uma “reexpressão” do presente.
Os Fósseis Sangrentos | The Bloody Fossils
Lin Yixing
As memórias e as dores do passado entrelaçam-se, solidificando-se como “pedras” tangíveis e intangíveis, escondidas profundamente no interior do corpo. O corpo segue uma progressão linear de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte, mas estas memórias dentro do corpo não desaparecem. Manifestam-se mesmo depois de o corpo morrer, como fantasmas, vagueando por espaços invisíveis a olho nu. No meio da realidade em rápida mudança em que vivemos, que memórias estamos a formar e que vestígios estamos a deixar para trás? “Os Fósseis Sangrentos“ é um memorial vivo às vidas que já passaram e às que continuam a existir dentro do longo fluxo da história.
WORKSHOPS
29 de janeiro (quarta-feira), 10—13h, Espaço Parasita
Movimento de Crescimento
Wu Hui
As plantas, como forma de vida distinta, desenvolveram estratégias de sobrevivência únicas que lhes permite estabelecer redes sociais e políticas complexas. Este workshop inspira-se na técnica de fotografia em time-lapse de documentários sobre plantas para investigar o movimento através da lente da morfologia vegetal. Introduz a noção de movimento distal — uma prática que incorpora os princípios da teoria do rizoma referindo-se à perceção corporal multidirecional e ao movimento como um todo e/ou coletivo.
Integração | Fusão
Hio Mei
A prática de Mei envolve um conhecimento aprofundado de danças tradicionais asiáticas, através das quais procura elaborar uma relação expressiva consigo mesma. Esta partilha, procurará articular elementos tradicionais e contemporâneos na criação de uma linguagem de dança e de um corpo personalizado.
A Textura das Memórias
LIN Yixing
Os nossos corpos nascem no mundo, respirando em sincronia com as marés do universo. Desde o momento em que abrimos os olhos ao nascer, ou mesmo enquanto ainda estamos no útero, as memórias começam a espalhar-se por nós como as raízes de uma planta ou os esporos dos cogumelos, entrelaçando-se com a nossa carne e sangue. Esta oficina é uma experiência de reconstituição e descoberta de “cristais” dentro da floresta da memória. Os participantes realizarão exercícios corporais e práticas multimédia, como a pintura, para evocar percepções físicas e mentais relacionadas com a experiência pessoal.
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Sobre o T Theatre
O T Theater é um espaço para as artes performativas em Macau, sem fins lucrativos, com o objetivo de promover várias formas de coreografar, explorar uma vasta gama de práticas corporais em diferentes contextos, e encorajar artistas locais/regionais a interagir com artistas internacionais. Nos últimos anos, o T Theater tem vindo a defender a difusão da dança contemporânea e experimentado diferentes formas de intercâmbio entre a China e outros países.