WORKSHOPS FORUM & PARASITA

Ao longo de 2025 e 2026, a Parasita e o Fórum Dança reunem-se para a organização de workshops. Este projeto pretende ampliar o acesso a práticas contemporâneas de dança, através do contacto com figuras de referência da cena nacional e internacional, proporcionando uma experiência de aprendizagem aprofundada à comunidade artística em Portugal.

Em 2026, a programação dá continuidade a este compromisso, reunindo artistas convidados para diferentes momentos de formação intensiva ao longo do ano. Já com inscrições abertas, os workshops serão conduzidos por Marcela Levi & Lucía Russo (27 a 31 de maio), Harald Beharie (5 a 9 de agosto) e Luís Guerra (30 de setembro a 4 de outubro).

Descontos:
→ 20% para pessoas que participam ou já participaram nos cursos de longa duração do Forum Dança (PACAP ou PEPCC), Workshops Parasitas e estudantes de dança.
→ 50% | Bolsas de estudo para artistas e/ou estudantes de dança, com o apoio da Fundação GDA (mediante candidatura até 15 de maio)

 

Workshops 2026

 

Montar, desmontar, remontar
com Marcela Levi e Lucía Russo

27 a 31 de maio de 2026
4ª a 6ª ~ 18h às 21h | sáb e dom ~ 10h às 13h e 14h às 17h
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa
Inscrições aqui

Há alguns anos, a Improvável Produções, fundada pelas coreógrafas Marcela Levi e Lucía Russo, desloca-se com um composto de perguntas que convocam o trabalho a trabalhar: como dar corpo, isto é, materializar, em conversa com o poeta Édouard Glissant, o desejo de “um mundo de muitos mundos”? Quais as estratégias necessárias para transtornar a arquitetura frontal e o regime de visualidade unidirecional de um palco italiano? Como aproximar distâncias sem esmagar as fendas, ou seja, como conviver entre diferentes de maneira não separatista? Quais as estratégias necessárias para sustentar a continuidade de um trabalho coletivo de pesquisa, ou seja, como ganhar tempo?

Carregadas com essas perguntas, em um gesto que busca atravessamentos, compartilharemos alguns aspectos fundamentais das questões artísticas que (des)orientam a nossa pesquisa.

Num primeiro momento desta oficina, destinada a profissionais e estudantes das artes cênicas, praticaremos a multifacetação do corpo por meio da condução multidirecional das massas ósseas (crânio, bacia, costelas, escápulas, calcâneo e metatarso), ativada pela força de empurre e pelo empuxo de forças de imantação.

Num segundo momento, nos dedicaremos a procurar e fabular cruzos entre matérias distantes no tempo e no espaço. Reconhecer ressonâncias e ecos, na busca de pontos em comum entre matérias visíveis e invisíveis distintas, nos ajudará na tessitura desse campo de forças em tensão. Montar, desmontar, remontar, desmontar, remontar…

retrato Lucía Russo & Marcela Levi

Em 2010, as coreógrafas Marcela Levi (Rio de Janeiro, Brasil) e Lucía Russo (Patagônia, Argentina), atuantes no campo da dança de pesquisa no Brasil e no exterior há mais de 30 anos, fundaram, no Rio de Janeiro, a Improvável Produções, uma plataforma de formação, pesquisa e criação. Levi & Russo apostam em uma direção polifônica em que diferentes posições inventivas se entrecruzam em um processo que acolhe linhas desviantes, dissenso e diferenças internas como força crítica construtiva, e não como polaridades autoexcludentes.

Com um repertório que cruza danças, músicas, vozes e pensamentos de distintos tempos e lugares, a Improvável afirma a dança contemporânea como um campo expandido de convivência e pensamento crítico. Entre suas criações, destacam-se c h ãO, 3 contra 2: Psico Trópicos, Fora de Quadro e o que é o coro. coro, esta última comissionada para os 32 bailarinos do Balé da Cidade de São Paulo.

Mais informações: https://improvavelproducoes.com/


Ambiguous Intensities

com Harald Beharie

5 a 9 de agosto de 2026
4ª a 6ª ~ 18h30 às 21h30 | sáb e dom ~ 10h às 13h e 14h às 17h
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa
Inscrições aqui

Nos últimos anos, Harald Beharie tem-se dedicado a explorar o corpo como um espaço de ambivalência. Um local onde forças, desejos e mecânicas opostas coexistem e colidem.
O workshop baseia-se em materiais e metodologias desenvolvidos ao longo de uma trilogia de obras (Batty Bwoy, Undersang e Sweet Spot, 2022 – 2026) , onde o corpo é abordado como algo instável, excessivo e exposto na sua constante negociação com o ambiente circundante. Fragmentos, práticas e partituras destas obras funcionarão como pontos de partida e referências partilhadas. Não como coreografias fixas mas como material a ser reativado, distorcido e reimaginado dentro do grupo. Juntos, formaremos um coletivo temporário. Um espaço para aprofundar formas de estar, para canalizar e manifestar atitudes e estados energéticos. Começando com práticas somáticas e vocais específicas, avançaremos para sessões mais abertas, trabalhando tanto com a voz como com o movimento. O workshop explora como a ambiguidade pode ser sustentada como uma força geradora, permitindo que um corpo coletivo surja, se dissolva e se reconfigure. Iremos explorar como a ludicidade e o estranho podem produzir camadas de magia, confusão e deslizamento. Como permanecer na confusão, juntos e também a abraçar o constrangimento e a tolice como um estado produtivo. Como a ambiguidade pode ser incorporada através da forma, da sensação e da duração. Como algo perdura e se esvai.

O workshop inclui elementos de trabalho de contacto e está aberto a artistas profissionais e estudantes da área das artes performativas.

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Harald Beharie (ele/elu) é um artista performativo e coreógrafo norueguês-jamaicano que vive em Oslo, na Noruega. A prática e as coreografias de Beharie surgem frequentemente na tensão entre o quotidiano e o extremo, o banal e o sagrado, brincando com a transformação como um princípio contínuo, tanto para o corpo como para os espaços por onde este se move. No cerne está o desejo de desafiar a forma como sentimos, compreendemos e organizamos a realidade. Os seus trabalhos exploram como a queeridade e o corpo podem funcionar como um meio e um local de revolta, êxtase e dissolução.
Tem um interesse especial pelo «faça você mesmo» e pela vulnerabilidade de estar no desconhecido. Beharie está interessado em como o corpo pode funcionar como um motor para a dramaturgia, uma força em si mesma que se transforma através da prática. Nas suas obras Batty Bwoy e Undersang, o prazer, o excesso e a monstruosidade podem tornar-se forças de empoderamento e transformação, ao mesmo tempo que utilizam o corpo como um local de ambivalência.


dançar com o invisível ou dançar com o corpo inteiro

com Luís Guerra

30 set a 04 out 2026
4ª a 6ª ~ 18h30 às 21h30 | sáb e dom ~ 10h às 13h e 14h às 17h
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa
Inscrições aqui

‘Nestes dias de investigação partilharei caminhos, estratégias e ferramentas que fui explorando ao longo de mais de vinte anos a trabalhar continuamente como intérprete e improvisador nas áreas da dança, da performance e das artes visuais. A proposta passa por mergulhar no corpo como um dos territórios mais ricos e um dos instrumentos privilegiados para a expressão do impulso criativo, activando dimensões muitas vezes adormecidas ou desabitadas procurando reanimar a consciência perante tudo aquilo que habita ou se esconde na escuridão do inconsciente. Trabalharemos sobretudo a partir de estímulos sensoriais que não se limitem ao campo visual, privilegiando a escuta, a audição mas também a arqueologia interna abrindo espaço para mergulhos transcendentais que possam sair fora dos guiões do controlo e da previsibilidade. Será acima de tudo um espaço de exploração, experimentação, composição espontânea e improvisação onde o corpo de cada dia se tornará o principal guia e maestro. Procurar-se-ão estados de presença mais desagarrados das ideias pré-concebidas sobre o certo e o errado, sobre o bem e o mal, sobre o válido e o não válido sem no entanto perder exigência perante as formas ou os conteúdos abrindo assim espaço para experiências intensas, por vezes próximas ou invocadoras de estados alterados de consciência, que nos revelem corpos mais disponíveis, sensíveis e vivos. Acima de tudo, este será um encontro a construir em conjunto, com o desejo de que seja para cada qual que nele participe um momento nutritivo e impulsionador de expansão dos impérios físico, psíquico e emocional.’

[Luís Guerra]

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Luís Guerra [Lisboa, 1985] estudou dança no Conservatório Nacional (1995-2003); coreografia na Fundação Gulbenkian (2005); massagem de relaxamento no Instituto de Medicina Tradicional (2020), pintura e desenho no ArCo (2019-2022) e completou ainda o curso avançado e o projecto individual em artes visuais nessa mesma escola (2022-2025) onde recebeu a bolsa Vera Futscher. Expõe regularmente o seu trabalho visual e trabalha há mais de duas décadas enquanto intérprete, bailarino, improvisador, modelo para aulas de desenho, pedagogo e coreógrafo destacando as colaborações recentes e/ou regulares com Vera Mantero, Sofia Dias & Vitor Roriz, Simon Vincenzi, Emio Greco|PC, Claudia Castelucci, Christophe Haleb, Meg Stuart, Elisabete Francisca, Mariana Tengner Barros, Teresa Silva, David Marques, Tânia Carvalho, entre outros. Foi bolseiro DanceWeb e nos últimos anos tem-se dedicado principalmente à improvisação e à invocação de estados de transe geralmente em performances duracionais e apresentadas em contextos fora dos teatros como por exemplo galerias de arte, jardins ou espaços exteriores. Entre os trabalhos recentes destaca-se a improvisação homenagem a Almada Negreiros na escadaria da Fundação Gulbenkian, o solo com dança e texto de sua autoria no jardim da Casa da Cerca, as improvisações na floresta de Monsanto durante o Festival Silvestre, a performance de improvisação com interação com o público apresentada no MAAT ou as performances improvisadas no TicTac Art Centre. Actualmente reside em Bruxelas onde leva a cabo uma série de formações pontuais na área de improvisação em contexto de artes performativas.


Workshops 2025

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Oracular Bodies: direcionando movimento e energia com Meg Stuart

5 a 8 de maio de 2025 | 14h00 – 18h00
EVC | Estúdios Victor Córdon
Inscrições esgotadas

Neste workshop imersivo, convida-se a entrar no espaço liminar onde o corpo é um oráculo, e o movimento um canal para forças invisíveis. Com base em práticas somáticas, improvisação, trabalho energético e tradições divinatórias, Oracular Bodies explora como podemos receber, interpretar e incorporar mensagens transpessoais para além da linguagem.

Através de improvisações guiadas, estados de transe e sonhos lúcidos coletivos, as pessoas participantes irão envolver-se de forma lúdica com o movimento como adivinhação – canalizando os seus impulsos interiores e, também, entre si. Iremos experimentar com transmissões energéticas, ressonância vocal e composição espontânea, usando o corpo como um local de revelação.

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Meg Stuart

Coreógrafa, realizadora e bailarina, vive e trabalha em Berlim e Bruxelas. Com a sua companhia, Damaged Goods, fundada em 1994, criou mais de trinta produções, que vão desde solos e duetos a peças de grupo, trabalhos de vídeo, criações site-specific e projetos de improvisação. O seu trabalho move-se livremente entre os géneros da dança, do teatro e das artes visuais, impulsionado por um diálogo contínuo com artistas de diferentes disciplinas.
Através de ficções e camadas narrativas em constante mudança, Meg Stuart explora a dança como uma fonte de cura e uma forma de transformar o tecido social. A improvisação é uma parte importante da sua prática, como estratégia para se mover a partir de estados físicos e emocionais ou da memória dos mesmos. Tem recebido diversos prémios pelo seu trabalho, nomeadamente o Leão de Ouro de Carreira na Biennale di Venezia em 2018 e foi agraciada com a Guggenheim Fellowship em 2023.

Dançar como Cura Política com Keith Hennessy

28 a 30 de maio de 2025 | 18h00 – 21h00
31 maio a 1 de junho de 2025 | 10h00 – 13h00 + 14h00 – 17h00
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa
Inscrições aqui

Privilegiando a improvisação e a colaboração, Keith Hennessy joga com as possibilidades de cura, política e dança em conjunto, considerando as curiosidades e preocupações das pessoas participantes. Convocando os antepassados proféticos Gustav Landauer e Octavia Butler para renovar a dança, Hennessy lança as questões: o que vos inspira ou impede de dançar mais livremente, especialmente com outros corpos? O que ativa ou impede o vosso potencial de cura? Como é que o vosso corpo está a responder às novas guerras, à precariedade e aos traumas corporais? Como pode a dança ser ativada como estratégia anti-capitalista, como uma nova ética da relação, do prazer e do poder partilhado?

Banner Blog WS KeithHennessy 05 2025

Keith Hennessy

Brincalhão, imperfeccionista e bruxo que trabalha nos campos da dança contemporânea, performance queer, habitação acessível, cura sexual e política. Criado no Canadá, vive em Yelamu/São Francisco desde 1982. O seu trabalho, interdisciplinar e experimental, é motivado por movimentos anti-racistas, queer-feministas e anarquistas. Com um foco na política da relação, os colaboradores performativos de Keith incluem Ishmael Houston-Jones, Sarah Crowell, Meg Stuart, Peaches, Nathaniel Moore, Jassem Hindi e Jose Abad. O ensino de Keith em 2024-25 inclui Lviv Ucrânia, Cornell Univ, La Manzana de Paxton, ImPulsTanz, The Field Center.

⌂ FICHA TÉCNICA

Organização: Associação Parasita e Forum Dança
Curadoria: Dora Carvalho e João dos Santos Martins
Apoio ao workshop de Meg Stuart: OPART, E.P.E/Estúdios Victor Córdon

2026


30.09—04.10
com Luís Guerra.
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa.
05—09.08
com Harald Beharie.
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa.
27—31.05
com Marcela Levi e Lucía Russo.
Forum Dança, Espaço da Penha, Lisboa.