ALARVE, 2026

O trabalho de João dos Santos Martins explora relações entre dança, linguagem e transmissão. Para esta performance, integrada na exposição “Lugar de estar: o legado de Burle Marx”, o bailarino e coreógrafo toma o corpo como campo de negociação entre natureza e construção. O trabalho dialoga com a sua experiência pessoal de migração do meio rural para o urbano, e da ideia de adaptação — do corpo e do sujeito. Tal como o paisagista brasileiro entendia o jardim como uma “adequação do meio ecológico às exigências da civilização”, a migração revela um processo contínuo, muitas vezes violento, de ajuste de gestos e relações.

A dança é abordada como prática de desaprendizagem e de reinvenção: um exercício de reconhecimento das camadas sociais e corporais que se acumulam na tentativa de adequar hábitos vistos como estranhos, brutos ou selvagens. Mais do que representar uma identidade, o trabalho apresenta um campo de fricção entre natureza, ruralidade e cultura. O corpo torna-se matéria em processo, na qual o dentro e o fora dialogam propondo formas de escuta.

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José Carlos Duarte

⌂ FICHA TÉCNICA

De e com: João dos Santos Martins
Figurino: Darius Dolatyari-Dolatdoust ​​
Ladainha: Franz Schubert
Apoio vocal: Joana Nascimento
Coprodução: Associação Parasita, MAC/CCB Museu de Arte Contemporânea
Produção executiva: Maria Monteiro | Associação Parasita, Association Mi-Maï
Residências: Espaço Parasita, Lamia Santolino
Agradecimentos: Rafael Manhães, Laura Salerno

2026


15.05
João dos Santos Martins
Offerings / The Church of Saint Mary the Virgin, New York
09.05
João dos Santos Martins
18h - Sismógrafo
27—28.03
João dos Santos Martins
Exposição "Lugar de estar: o legado Burle Marx" / 18h - MAC/CCB, Lisboa